O bairro
O nome do bairro Dionísio Torres homenageia o farmacêutico, negociante, desbravador e intelectual que investiu no ponto mais alto de Fortaleza, antevendo a chegada do progresso a terras então baldias, compradas por ele aos herdeiros do Barão de Aquiraz.
A Estância Castelo
Na década de 1920, pensando na expansão urbana da cidade, Dionísio Torres voltou os olhos para as bandas do Outeiro, que em seus confins pertencia aos herdeiros do Barão de Aquiraz. Sabia que a cidade teria de crescer para o nascente, o leste, em busca de ares novos e saudáveis.
Comprou toda a área e desbravou o ponto mais alto de Fortaleza. Inicialmente chamado de Estância, nome dado por ele, o bairro surgiu de sua visão e esforço, pelo desbravamento da mata rala, reduto de marginais. A viagem era feita a cavalo, por uma trilha estreita que ligava o lugar à Piedade, no bairro Joaquim Távora. Os amigos o chamavam, em tom de chacota, de idealista e visionário.
Naquele terreno árido, Dionísio plantou mais de três mil coqueiros, no primeiro plantio simétrico dessa árvore de que se tem notícia no Ceará. A área passou a ser chamada pelos fortalezenses de “coqueiral do seu Dionísio”.

No centro da propriedade, construiu a Granja Leiteira Estância Castelo e trouxe para o Ceará a primeira importação de gado holandês de alta linhagem, embarcado no Uruguai por via marítima. Foi um rebuliço na cidade. “A raça não suporta o clima, é jogar dinheiro fora”, diziam os entendidos. Ele persistiu e se tornou o iniciador do rebanho leiteiro dessa raça espalhado por todo o estado.
Também importou cabras leiteiras com pedigree, de alta taxa de crescimento e fertilidade, e passou a criar aqui um plantel da espécie.
O loteamento
O ano de 1939 o encontrou debruçado sobre plantas. Repetia sempre que Fortaleza ia se espraiar para o leste, e deu certo. A Estância, agora com a natureza domada, tinha uma paisagem agradável, e para ali a cidade marcharia.
Registrou um dos primeiros loteamentos de Fortaleza, com 58 hectares: o Loteamento Terras da Estância Castelo. Ele pode ser considerado o marco zero de uma nova fronteira urbana para a cidade, e é ali que hoje fica o bairro que leva o seu nome.

Obras pioneiras no loteamento
Estradas de acesso
Em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, construiu as vias que ligaram o loteamento ao bairro da Piedade (atual Av. Antônio Sales) e à orla (atual rua Tibúrcio Cavalcante), com calçamento de pedra tosca.
Caixa d’água da Estância
Para resolver a falta de água na região, cedeu gratuitamente ao Estado um terreno de 2.500 m² na Avenida Antônio Sales, esquina com a rua Tibúrcio Cavalcante, onde foi construído um reservatório capaz de abastecer todo o bairro.
Luz elétrica
Pagou a instalação de luz elétrica em toda a área do loteamento, inclusive os postes e os fios.
Vila Estância e Vila Zoraida
Começou a povoar o novo bairro construindo a Vila Estância, um conjunto de 60 casas que manteve alugadas por mais de 20 anos. Construiu ainda a Vila Zoraida, com 58 casas conjugadas, e outros prédios residenciais e comerciais espalhados pela propriedade.
A lei que deu o nome
Em 13 de dezembro de 1967, o Diário Oficial do Município publicou a lei que mudou o nome do bairro.
Lei nº 3.500, de 9 de dezembro de 1967
Denomina de Dionísio Torres o bairro Estância, nesta Capital.
A Câmara Municipal de Fortaleza decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º Fica denominado de Dionísio Torres, em homenagem a Dionísio de Oliveira Torres, o bairro nesta capital conhecido por Estância.
Art. 2º A presente lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Paço da Prefeitura Municipal de Fortaleza, em 11 de dezembro de 1967.
Eng. José Walter Barbosa Cavalcante
Prefeito Municipal
Milton Pinheiro
Secretário Municipal de Administração